PESQUISA APONTA: ASMA MATA TRÊS PESSOAS POR DIA NO BRASIL

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), por meio de sua Comissão de Políticas de Saúde, encaminhou ao ministro Ricardo Barros, da pasta da Saúde, um documento que traz as prioridades em políticas de saúde para doenças alérgicas e imunodeficiências primárias. Ações que podem ser desenvolvidas em conjunto entre a ASBAI e o Ministério da Saúde também constam no documento.

Na relação entregue ao ministério estão: Assistência a pacientes com asma no SUS, imunobiológicos nas doenças alérgicas, alergia às proteínas do leite de vaca, anafilaxia – comercialização de auto-aplicadores de adrenalina -, investigação de triagem de imunodeficiências primárias, angioedema hereditário – necessidade de acesso ao tratamento adequado-, gamaglobulina subcutânea para tratamento de imunodeficiências e imunoterapia específica para alérgenos.

A Comissão de Políticas de Saúde ressalta a gravidade dessas doenças, o comprometimento da qualidade de vida, assim como da produtividade dos pacientes. “Existe a necessidade de uma rápida intervenção, no sentido de melhorar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento para a população brasileira com doenças alérgicas e imunodeficiências”, explica Dra. Norma Rubini, presidente da ASBAI.

As doenças alérgicas acometem em torno de 30% da população brasileira. Muitos avanços e novos tratamentos foram desenvolvidos nos últimos anos, mas poucos estão disponíveis no SUS e, assim, a maioria da população fica sem o atendimento adequado. Além disso, o número reduzido de serviços especializados no manejo de desordens alérgicas e imunodeficiências na rede do SUS contribui para o subdiagnóstico e subtratamento.

A prevalência de asma em crianças com idade escolar no Brasil é uma das mais altas no mundo, chegando a 23%, conforme levantamento realizado pelo Ministério da Saúde. Porém, o diagnóstico médico chega a 12,4%. A doença é responsável por três mortes por dia no País.

“Um dos planos de ação que estamos propondo ao Governo é a criação de centros estaduais de referência para asma, sediados no SUS, com o apoio da ASBAI e de outras organizações, para o atendimento de pacientes com asma grave. Além disso, propomos vigilância epidemiológica da asma e capacitação das equipes de atenção primária”, conta Dra. Norma.

Além disso, vários Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) estão defasados e não contemplam os avanços obtidos nos últimos anos, como é o caso do PCDT da asma, que ainda não incorporou a anti-IgE, licenciada há mais de uma década, e o PCDT do angioedema hereditário, no qual estão ausentes o antagonista dos receptores B2 da bradicinina e o concentrado de C1-INH. Isto acarreta custos para o governo decorrentes não só da assistência a pacientes graves com doenças não controladas, mas também em função da judicialização para a obtenção de produtos terapêuticos não disponíveis no SUS.

A anafilaxia é reação alérgica mais grave e potencialmente fatal, desencadeada por mecanismos de hipersensibilidade. Ela vem aumentando no mundo inteiro, incluindo o Brasil, e a única medicação que age em questão de segundos e pode salvar a vida de alguém com anafilaxia é a adrenalina.

Os consensos nacionais e internacionais recomendam que pacientes com histórico prévio de anafilaxia devem ser orientados para portar um autoplicador de adrenalina para uso em situação de emergência. Porém, este medicamento não está disponível no Brasil, necessitando ser importado, o que dificulta o acesso da população de baixa renda. “Temos no país a adrenalina em ampolas, entretanto, seu uso é hospitalar e só pode ser realizado por pessoas capacitadas, já que a aplicação por leigos pode resultar em erros de dosagem e técnica, acarretando o risco de efeitos adversos, além de problemas relacionados à conservação do produto”, informa a presidente da ASBAI. Desta forma a ASBAI, juntamente com a Sociedade Brasileira de Pediatria, ressalta a importância de esforços para o registro e comercialização de autoaplicadores de adrenalina aqui no Brasil.

(Fonte: Associação Brasileira de Alergia e Imunologia)

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