“ARMAS SALVAM VIDAS”, DIZ DEPUTADA ESTADUAL CATARINENSE

O assassinato de cinco estudantes e duas funcionárias em uma unidade de ensino na cidade paulista de Suzano dominou os debates da Assembleia Legislativa de Santa Catarina pelo segundo dia consecutivo. Passadas pouco mais de 24 horas do massacre realizado por dois ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil, parlamentares catarinenses estavam unidos em solidariedade às famílias e amigos das vítimas, mas distantes nas opiniões sobre a questão do desarmamento.

O assunto veio à pauta na sessão logo no primeiro discurso, feito pelo deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB). “O Brasil mais uma vez está assistindo atônito agora sobre o ocorrido em Suzano. Um momento que nós todos estamos envergonhados com essa situação. Nós da classe política temos que parar e analisar o que está acontecendo. Não quero entrar no mérito para discutir porte de arma, mas tem alguma coisa errada”, comentou. Para ele, o fato é outro resultado do afastamento das famílias em relação aos filhos, do afastamento da escola.

“O afastamento dos pais, da família, de seus filhos na primeira infância, me parece como a causa fundamental dessa desagregação que vem acontecendo. Não tenho dúvida, que os índices de violência são causados por esse afastamento. São poucos os momentos nos quais os pais falam com os filhos, brincam, abraçam, acompanham o crescimento”, lamentou. Na opinião do parlamentar, isso tudo leva ao extremismo.

O deputado Ismael dos Santos (PSD) concordou e citou também a questão dos entorpecentes. Lembrou que a mãe de um dos atiradores é usuária de drogas. Relatos publicados pela imprensa paulista indicam que a relação entre ela e o filho teria sido problemática e distante.

A deputada Paulinha (PDT) afirmou estar aterrorizada com “essa intolerância que parte de todos os lados”. Segundo ela, é algo que está além da política. “O presidente Bolsonaro foi esfaqueado e teve quem comemorou. O neto do ex-presidente Lula morreu, houve quem comemorou. Tudo nesse país virou motivo de intolerância”, argumentou.

A parlamentar citou que é preciso o debate sobre uma regulação das redes sociais, território que, na opinião dela, o extremismo é amplificado, recordando que ela e a deputada Ana Campagnolo (PSL) foram, recentemente, vítimas da intolerância. “Não é questão política, é falta de políticas consistentes para a estruturação do lar, do fortalecimento educacional.”

Por outro lado, a deputada Ana Campagnolo endossou o que o colega de partido, deputado Sargento Lima, defendeu na tarde anterior, afirmando que “armas salvam vidas”. No ponto de vista da parlamentar, qualquer segurança armado poderia ter evitado “estragos maiores” em Suzano.

Ela ainda questionou o posicionamento de parte dos veículos de comunicação na cobertura do massacre de Suzano. “É mais uma injustiça que cometem com o presidente e um desrespeito com os eleitores dele. De forma truculenta, um jornal tenta vincular Bolsonaro com os dois terroristas. Que culpa Bolsonaro tem se uma pessoa desequilibrada é fã dele?”, questionou.

Ana avaliou que essas situações são ampliadas em casos assim. “Por que não falam das mortes causadas pelos grupos terroristas como VAR-Palmares, da qual ex-presidente Dilma fez parte? Por que a imprensa não fala da relação do Adélio Bispo, que deu uma facada em Bolsonaro, é filiado ao PSOL?”, indagou.

A deputada informou ainda que, preocupados com a questão da segurança na escola, ela e o deputado Coronel Mocellin (PSL), enviaram ao governo estadual uma indicação sobre uma proposta que a gestão Carlos Moisés (PSL) vem avaliando. A idéia é viabilizar a gestão compartilhada das escolas públicas entre as secretarias da Educação e de Segurança Pública, a exemplo do que já acontece no Distrito Federal. Para a deputada, é ilusório acreditar que só a educação resolverá todos os problemas de violência.

Ao discursar, o deputado Jessé Lopes (PSL) citou a necessidade de se fazer algumas reflexões antes de dizer que a culpa do massacre que marcou o dia anterior seja das armas de fogo. “Essas armas eram registradas? Será que o Estatuto do Desarmamento deu certo nesse caso? Será que se a professora estivesse armada poderia evitar ou amenizar? Ou se tivesse um policial militar lá? Temos que nos perguntar”, falou. O parlamentar se manifestou a favor do registro dos armamentos e reforçou sua argumentação ao dizer que, muitas vezes, “uma pessoa com arma de fogo só é parada por alguém bem intencionado que tenha outra arma de fogo”.

Líder do Governo na Alesc, Coronel Mocelin ponderou que não se está proibindo a fabricação e o comércio de armamentos. “Mas é muito fácil entender que a proibição não vai prevenir crimes. Ninguém está estimulado que todos saiam armados. Mas hoje qualquer um que deseja uma arma clandestina, consegue”, reforçou. Para ele, as “pessoas de bem” que tenham arma na residência têm uma forma de conseguir evitar o crime.

(Fonte: Agência AL)

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