COVID19: REUNIÃO COM PREFEITOS E ALESC DESTACA DISTANCIAMENTO SOCIAL E FALTA DE PESSOAL

Encerrando o ciclo de seis audiências públicas nas regiões catarinenses, a Comissão Especial da Assembleia Legislativa reuniu ontem, em vídeo conferência, 11 prefeitos das regiões do Meio Oeste e do Planalto Serrano tratando de ações de combate ao coronavírus. Participaram da reunião os prefeitos de Lages, Alto Bela Vista, Videira, Campos Novos, Monte Carlo, Joaçaba, Erval Velho, Ipumirim, Lebon Régis, Piritiba, além de representantes de entidades hospitalares, da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), do Ministério Público Estadual (MPSC) e os deputados Marcius Machado (PL), Ada de Luca (MDB) e Neodi Seretta (PT). Presencialmente, participaram o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, e os deputados Marcos Vieira (PSDB), presidente da comissão especial, e da Luciane Carminatti (PT), vice-presidente do colegiado.

Os prefeitos destacaram a importância e conscientização
do distanciamento social e a falta de profissionais para leitos de UTI.
“A população precisa entender essa questão da importância do distanciamento”, afirmou o prefeito de Campos Novos, Silvio Zancanaro. “Temos dificuldades de conscientização à obediência às normas de higiene e distanciamento para evitar aglomerações”, reforçou Antonio Ceron, prefeito de Lages.
Ceron também cobrou a ativação de leitos de UTI no Hospital Tereza Ramos, em Lages. Na semana passada, o governo estadual inaugurou a nova ala que abrigará os novos leitos, mas o espaço ainda não entrou em funcionamento. “Nossa região só está incluída em situação gravíssima porque não temos esses leitos à disposição. Precisamos deles para ontem”, afirmou o prefeito lageano.

O promotor Carlos Renato Teive e o deputado Marcius Machado também cobraram do Estado o funcionamento dos leitos. O secretário da Saúde afirmou que a falta de profissionais prejudica a ativação desses espaços e pediu colaboração dos municípios na cessão de mão de obra que atue na rede primária de saúde para viabilizar o funcionamento dos leitos. “São situações que extrapolam a governança da Secretaria de Estado da Saúde”, disse Ribeiro.

A falta de profissionais também foi abordada pela prefeita de Alto Bela Vista e representante da Federação Catarinense dos Municípios (Fecam), Cátia Reichert. Ela pediu ao Estado a liberação de profissionais de saúde para a região.

Já o deputado Neodi Saretta solicitou mais recursos para a ampliação dos testes que são realizados pelo laboratório da Embrapa em Concórdia. O reitor da Unoesc, Aristides Cimadon, afirmou que a instituição conta com um laboratório em Xanxerê que está à disposição para auxiliar na realização das testagens, que ainda aguarda autorização para fazer os exames.

REGIONALIZAÇÃO

Os prefeitos da mesorregião fizeram um balanço positivo das ações regionalizadas que vêm sendo desenvolvidas para o enfrentamento à pandemia. Campos Novos, Videira e Erval Velho relataram estabilização com tendência de queda no número de casos registrados.
Prefeito de Erval Velho e presidente da Associação dos Municípios do Meio-Oeste Catarinense (Ammoc), Walter Kurcher Junior, afirmou que foi criado uma central de operações regional para a tomada de decisões em conjunto entre os municípios que compõe a entidade. “Com as informações que a gente tem fortaleceu muito a tomada de decisões em nível regional”, comentou.

Kurcher Junior afirmou que a regional aderiu a um protocolo de tratamento precoce. O prefeito de Videira, Dorival Carlos Borga, e a secretária de Saúde do município, Ivanice Peccin, afirmaram que a cidade também aderiu a um protocolo de tratamento precoce, que tem obtido, segundo eles, resultados positivos, com queda nos óbitos pela Covid-19.

ESTRUTURA

Conforme o secretário de Estado da Saúde, o Meio-Oeste e o Planalto Serrano contam com oito hospitais com leitos de UTI voltados à Covid-19. As unidades ficam em Lages, Caçador, Curitibanos, Joaçaba, Concórdia e Videira. Ao todo, são 158 leitos adulto, 16 pediátricos e 24 neonatais à disposição de pacientes com o coronavírus.
Ribeiro afirmou que boa parte dessa estrutura será mantida em atividades mesmo após o controle da pandemia. Ela será utilizada principalmente para as cirurgias eletivas que estão represadas pelo atendimento à Covid.

O secretário reforçou os desafios burocráticos que o Estado enfrenta para estruturar a rede hospitalar catarinense. “Em um momento de exceção, único na história, temos regramentos e legislação para tempos de normalidade. Isso causa muitas dificuldades e morosidade”, disse.

A deputada Luciane Carminatti afirmou que as audiências permitiram à comissão conhecer a situação da pandemia em todo o estado. Ela apelou para que haja avanços na testagem da população e apoio aos hospitais na questão da medicação.

“Precisamos também investir em campanhas mais agressivas de conscientização. As pessoas precisam compreender a diferença entre distanciamento e isolamento social. Se não tiver o distanciamento, vamos ter que aumentar o isolamento. Cada um tem que conscientizar de sua responsabilidade”, completou a parlamentar.

O deputado Marcos Vieira afirmou que, com o ciclo de audiências, a Assembleia cumpriu com a obrigação de aproximar os municípios do Estado. Ele anunciou a realização de uma nova audiência pública sobre a Covid-19, no dia 3 de setembro.

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